nesta semana que passou, o U2 esteve todos os dias no programa do David Letterman para divulgar o novo trabalho, No Line on the Horizon. isso tudo me fez lembrar do pesadelo que foi na MTV quando a banda foi para o Brasil pela primeira vez, em 1998. eu era redatora do Promo, o departamento responsável por todas as chamadas, campanhas e vinhetas da emissora e fui a escolhida para fazer toda a campanha do U2, que a MTV estava promovendo. era uma quantidade de trabalho absolutamente insana porque tinham vários programas inteiramente dedicados aos irlandeses e ainda um countdown avisando quanto tempo faltava para os shows, tudo com muito superlativo, eu diria hiperlativos: "a maior banda da face da Terra, do sistema solar, de todo o universo, a preferida de deus..." eu já tinha decorado o dicionário de sinônimos neste quesito e as chamadas não terminavam, o U2 estava me deixando histérica, aliás todo mundo que estava trabalhando com eles só reclamava, era falar U2 que o povo surtava!por todo o trabalho e intensa dedicação, hehe, ganhei ingressos para ir ao show no Morumbi e ainda um carrinho de supermercado amarelo super fofo, que era o brinde da turnê PopMart. eu devia gostar mesmo do carrinho porque o mantive até mudar para Paris, em 2005. isso porque desde 1998 ainda troquei 5 vezes de endereço. o carrinho era ótimo para guardar os brinquedos da Frida e depois do Gummi. em Paris, quando via os mendigos empurrando seus carrinhos de supermercado pelas ruas com todos os seus pertences, eu lembrava do carrinho amarelo, aquele sim era fashion, uma coisa SDF* de Harajuku.
neste "remember the time", veio a cena da loucura que aprontei no Morumbi, eu realmente não tinha muitos parâmetros de perigo nesta época, eu enfrentava qualquer coisa sem medo. tinha um grandalhão do lado da onde eu estava que se aproveitava do seu corpo de armário atropelando as pessoas. ele andava pra frente e pra trás, imitando o Bono, chacoalhando uma jaqueta que batia em mim toda hora. eu estava ficando muito irritada e toda vez que ele encostava em mim eu o chutava com o coturno, eu sempre ia a shows de coturno justamente para estes inconvenientes. mas meus chutes estavam passando desapercebidos, ele continuava com a sua micagem. então parti para uma tática menos sutil e arranquei a jaqueta dele e joguei o mais longe que pude! ele se preocupou mais em sair correndo para resgatar a jaqueta e nem viu que tinha sido eu. então ele voltou e continuou com a patetada... bufando fui até ele, arranquei a jaqueta e disse que ia jogar pro outro lado se ele não parasse, que aquilo estava me incomodando imensamente e que eu não conseguia ver nada do show, que ele era um egoísta patético e bêbado, descarreguei a TPM inteira. ele ficou olhando pra mim fixamente e quando eu pensei que ele poderia dar um soco bem no meio da minha pêra, ele pediu desculpas e ficou quieto... ai, que gente mais sem interação! HAHAHAHAHAHAHA!
* em francês, SDF é a sigla para "sans domicile fixe".




















